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CLASSE PRODUTIVA E SOCIEDADE CIVIL DE MARABÁ SE REÚNEM COM O GOVERNADOR DO ESTADO

O governador Helder Barbalho (MDB) atendeu na tarde de ontem, 26, o pedido de audiência feito em outubro passado pela classe produtiva e pela sociedade civil organizada de Marabá.  O objetivo era tratar de assuntos relacionados ao desenvolvimento regional e à verticalização dos recursos minerais retirados de Carajás na própria região.

O encontro com a classe produtiva aconteceu em área reservada do Centro de Convenções, onde o presidente da ACIM (Associação Comercial e Industrial de Marabá), Raimundo Nonato Araújo Júnior, representando também as demais entidades, entregou uma carta a Helder, com várias reivindicações.

Antes, porém, Raimundo Júnior fez um breve discurso falando sobre o conteúdo do documento e a respeito do que a região espera do governo do Estado. O presidente da ACIM começou traçando um perfil econômico do Estado.

Entre outros dados citou que o Pará, um Estado rico de povo pobre, está hoje na 24ª colocação em qualidade de vida, entre os 26 estados da federação e o Distrito Federal.

Júnior também fez um breve histórico de todos os projetos de desenvolvimento prometidos para Marabá, mas que nunca saíram do papel, e se referiu ao mais recente, a promessa feita, em maio passado, de uma usina de laminação para Marabá, com a perspectiva de geração de 250 empregos. “O [Supermercado] Mateus da Folha 26 [na Nova Marabá] vai abrir com 600 empregos”, comparou Júnior, acrescentando que a laminação prometida pouco ou nada acrescenta para a cidade

O presidente da ACIM deixou claro que o que a cidade deseja é uma aciaria integrada, não uma laminadora que apenas vai mudar o estágio do aço de um para dois e não vai fazer a verticalização do minério de ferro. “Precisamos de uma usina integrada de um milhão de toneladas, que vai trazer a verticalização com a produção de bobinas a quente e a frio e possibilitar a existência de um polo metalmecânico, geração de desenvolvimento, mais impostos e empregos”, explicitou Raimundo Júnior.

Ele também reivindicou melhorias nas condições do Distrito Industrial de Marabá (DIM), a desocupação de áreas invadidas no DIM 1, lembrou que o DIM 3 está terraplenado e pronto para receber investimentos, mas, ocioso, pode virar também objeto de invasão.

Solicitou ainda desburocratização e celeridade na emissão de licenças para novos empreendimentos, programa atração de investimentos, formação de mão de obra e fomento no parque de pesquisa, ciência e tecnologia dirigido ao polo metalmecânico, integração com outras cadeias estratégicas, como turismo, entre outras.

Por fim, Raimundo Júnior reivindicou ao governador a formação de uma comissão de estudos, de modo que se possa revisar a participação da Vale no projeto de desenvolvimento do Pará a partir do sul do Estado.

O secretário de Estado de Desenvolvimento, Iran Lima, foi o próximo a falar. Disse que a Vale se reuniu recentemente com o governo e anunciou um projeto de produção de ferro-gusa a partir de Marabá, apresentou a proposta de uma planta de 500 mil toneladas/ano para chegar à possibilidade de ter uma planta de até 2 milhões de toneladas/ano, que seria o caminho para chegar à produção de aço com até 3 milhões de toneladas/ano, mas no prazo de uma década.

Afirmou que a produção de gusa, inicialmente, geraria uma quantidade de empregos “razoável”, 650 diretos mais 1.800 indiretos, porém, seguindo uma sequência de geração de postos de trabalho, conforme a preparação de mão de obra local.

Anunciou a construção de uma estrada de ferro, pela CCCC Chinesa, ligando Marabá a Barcarena, afirmando que os municípios ao longo dessa ferrovia seriam beneficiados com plantas de ferro-gusa e, com perspectiva, de, em 15 anos, chegar à produção de 20 milhões de toneladas/ano de ferro-gusa no Pará. Iram Lima reafirmou a instalação da laminadora anunciada em maio, com investimento em torno de R$ 1,5 bilhão, para abril de 2022.

Helder Barbalho, ao tomar a palavra, louvou a iniciativa e preocupação das entidades com o desenvolvimento da região e do Estado. Lembrou que mais de 400 mil pessoas desempregadas realmente não condizem com a pujança do Pará, disse que a região sudeste é a locomotiva para o desenvolvimento e afirmou que a geração de empregos cabe à iniciativa privada e que, ao governo cabe preparar o ambiente para atração de investimentos. Reafirmou as palavras de Iran Lima e anunciou para o primeiro trimestre de 2020 a derrocagem do Pedral do Lourenção.

“Quero parabenizar o interesse e a liderança e a articulação da ACIM. Para nós, ter vocês ao lado é soma de esforços, é fundamental que nós consigamos atingir o nosso objetivo que fazer com que este Estado possa se desenvolver, a partir da soma de esforços”, destacou o governador.

Helder salientou que o mesmo incômodo que atinge a todos da região atinge também ao governo, quando vê as riquezas partindo sem que gerem empregos nem desenvolvimento.

Solicitou a Raimundo Júnior que encaminhe ao secretário Regional de Governo, Joao Chamon, os nomes das pessoas que vão acompanhar o processo anunciado pela Vale, afim de esclarecer o modelo de laminação e de verticalização proposto. “Isso me parece ser o ponto de interrogação para não corrermos os riscos de estarmos sendo orientados de um projeto e recebermos outro diferente”, alertou.

Para o presidente da ACIM, as informações trazidas pelo governador como uma mensagem, de certa maneira consolidada pelo Estado, não é que todos esperavam, “enquanto sociedade organizada e também do setor produtivo da região sul do Pará”.

“Nós vamos analisar com mais calma, compor esse time proposto por ele, de técnicos que possam reunir com a Concremat, com a CCCC, com a Vale e o governo para que possamos esclarecer essas dúvidas e aparar eventuais arestas que possam impedir que o desenvolvimento chegue definitivamente aqui na nossa região, disse.

Raimundo Júnior, falando em nome de todos os setores, disse que a expectativa era de que o desenvolvimento proposto pela, iniciativa privada ao governo fosse realmente mais robusto no sentido da verticalização e da valorização do minério fazendo com que esse processamento permitisse a fabricação de produtos muito mais acabados do que simplesmente o ferro-gusa e também a mudança de fase de uma lâmina de aço para um segundo estágio que agrega valor, “mas muito pouco”.

“Vamos, realmente, analisar com mais calma para que possamos tomar as decisões coletivamente, definidas pelo grupo de trabalho, e possamos entregar para a sociedade aquilo o que ela realmente espera”, concluiu o presidente da ACIM.

Assinaram a carta entregue a Helder Barbalho: ACIM, Sindicato Rural de Marabá, Câmara Municipal, CONJOVE, Loja Maçônica Pioneira da Transamazônica, Grande Loja Maçônica, Aspagrima, OAB, Associação de Moradores do Bairro Francisco Coelho, Sintrarsul, CRC Pará, Lions Clube de Marabá, Sindihotel, Simetal, Associação de Moradores do Bairro Liberdade, Rotary Club de Marabá, Loja Maçônica da Marabá Pioneira, Fecom, Sindecomar, Igreja Vinde, Sintepp, SINDICOM e Comtur.

ASCOM/ACIM

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